domingo, 19 de agosto de 2012

Em uma sala cheia de cadeiras vazias



Em uma sala cheia de cadeiras vazias e um quadro negro, que na verdade é verde, mas esta em branco. Vejo aparelhos eletrônicos desligados e penso em ligar meus fones de ouvido no volume máximo.
Li algo sobre alguém estar chateado, sobre os fones não terem o volume alto o suficiente, e me pergunto o que será que essa pessoa quer sufocar com esse som alto?
Isso me faz pensar que talvez tenha sentimentos que queira sufocar, pode ser que não use fones no volume máximo, mas posso perceber minhas fugas, posso perceber que tenho várias maneiras de me esconder de mim.
Em uma sala cheia de cadeiras vazias, a que parece mais vazia é a que estou sentado.
O quadro negro que na verdade é verde, mas esta em branco, reflete o turbilhão de sentimentos que inundam meu cérebro.
Os aparelhos desligados me parecem tão inúteis quanto meu coração quebrado, querendo ser racional.
Não vou ligar meus fones no volume máximo, mas vou me afogar em uma outra fuga qualquer.
Em uma sala cheia de cadeiras vazias, penso nelas como se estivessem ocupadas, e percebo que na verdade ocupadas ou não, me sentiria tão vazio quanto às cadeiras vazias que podiam estar ocupadas
O quadro negro, que na verdade é verde, mas esta em branco, poderia mesmo estar cheio, escrito com giz realmente branco, repleto de informações que a meu ver seriam tão confusas quanto entender o paradoxo de um quadro verde que é preto e esta em branco.
Os aparelhos eletrônicos desligados, não podem ligar-se sozinhos, e mesmo ligados não podem me fazer companhia, tudo o que fazem é professar uma verdade que não minha.
Já os fones, parecem cada vez mais o acalento que procuro.
Em uma sala cheia de cadeiras vazias, penso que o mundo inteiro é assim. Uma enorme sala cheia de cadeiras vazias. Que na verdade estão ocupadas, mas que cada um sentando em seu lugar não consegue perceber as cadeiras ocupadas em sua volta, assim os muitos ocupantes dessa sala só conseguem ver uma enorme sala de cadeiras vazias.
O quadro negro, que na verdade é verde, mas esta em branco, não pode ser traduzido, quem dirá entendido. E no fim acabamos todos nos levantando para preenche-lo usando o giz branco, respirando esse pó que cai aos poucos enquanto escrevemos, torcendo para que ele nos embriague e entorpeça, para que não precisemos mais nos torturar escrevendo.
Os aparelhos eletrônicos uma hora ou outra acabam ligados, nos ensinando verdades controladas, em doses necessárias o suficiente para que acreditemos que temos nossas próprias verdades.
Mas os fones, eles continuam desligados.

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