Não querem me ouvir, ninguém realmente ouve, também não sei
se quero falar, estou cansado de estar tanto tempo em minha companhia. A
palavrara solitário tem me parecido cada vez mais adequada.
Passo as mãos no rosto e sinto minha barba por fazer, sinto
uma incoerência crescer dentro de mim uma incontinência de ideias e uma total
falta de simetria entre elas.
Tenho passado tempo demais em minha cama, ela acaba sendo
tudo o que me resta. Quer saber ela não é o suficiente.
Me sinto vulnerável, e
carrancudo.
Minha perna coça enquanto olho uma imagem sobre pessoas
passando fome e o que sinto?
O que deveria sentir?
Essa apatia esse declínio ao que não devo, essa agonia e esse
medo da minha inabilidade com meus sentimentos, me levam a lugares que não
gosto de ir e quando dou por mim estou de pé em meu peito, olhando para o
abismo dentro de mim. Ele é escuro e profundo, tenho vontade de pular e me
esconder ainda mais dentro do meu vazio. Mas no fim o que faço é jogar lá
dentro meus medos e angustias como se fossem desaparecer.
Não acho que isso vá contra minha natureza, na verdade isso é
provavelmente minha única saída.
Às vezes me sinto como se fosse um trem sem maquinista, estou
nos trilhos estou no caminho, mas é como se ninguém estivesse guiando. Queria
poder ter menos sendo mais, queria ao menos a chance de ser simples dentro da
minha complexidade, queria me importar menos sentindo mais.
No fim, só mais um
alguém normal sentindo uma
típica apatia atípica!

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