Em uma sala cheia de cadeiras
vazias e um quadro negro, que na verdade é verde, mas está em branco. Vejo
aparelhos eletrônicos desligados e penso em ligar meus fones de ouvido no
volume máximo.
Olhando para o quadro
negro, que na verdade é verde, mas está em branco, lembro de alguém que ligava
os fones no volume máximo para sufocar pensamentos, ou seriam sentimentos...?
Isso me faz pensar que
talvez tenha sentimentos que queira sufocar, pode ser que não use fones no
volume máximo, mas posso perceber minhas fugas, posso perceber que tenho várias
maneiras de me esconder de mim.
Em uma sala cheia de
cadeiras vazias, a que parece mais vazia é a que estou sentado.
O quadro negro que na
verdade é verde, mas está em branco, reflete o turbilhão de sentimentos que
inundam meu cérebro.
Os aparelhos desligados
me parecem tão inúteis quanto meu coração quebrado, querendo ser racional.
Não vou ligar meus
fones no volume máximo, mas vou me afogar em uma outra fuga qualquer.
Em uma sala cheia de
cadeiras vazias, penso nelas como se estivessem ocupadas, e percebo que na
verdade ocupadas ou não, me sentiria tão vazio quanto às cadeiras vazias que
podiam estar ocupadas
O quadro negro, que na
verdade é verde, mas está em branco, poderia mesmo estar cheio, escrito com giz
realmente branco, repleto de informações que a meu ver seriam tão confusas
quanto entender o paradoxo de um quadro verde que é preto e está em branco.
Os aparelhos
eletrônicos desligados, não podem ligar-se sozinhos, e mesmo ligados não podem
me fazer companhia, tudo o que fazem é professar uma verdade que não é minha.
Já os fones, parecem
cada vez mais o acalento que procuro.
Em uma sala cheia de
cadeiras vazias, penso que o mundo inteiro é assim. Uma enorme sala cheia de
cadeiras vazias. Que na verdade estão ocupadas, mas que cada um sentando em seu
lugar não consegue perceber as cadeiras ocupadas em sua volta, assim os muitos
ocupantes dessa sala só conseguem ver uma enorme sala de cadeiras vazias.
O quadro negro, que na
verdade é verde, mas está em branco, não pode ser traduzido, quem dirá
entendido. E no fim acabamos todos nos levantando para preenche-lo usando o giz
branco, respirando esse pó que cai aos poucos enquanto escrevemos, torcendo
para que ele nos embriague e entorpeça, para que não precisemos mais nos
torturar escrevendo.
Os aparelhos
eletrônicos uma hora ou outra acabam ligados, nos ensinando verdades
controladas, em doses necessárias o suficiente para que acreditemos que temos
nossas próprias verdades.
Mas os fones, eles
continuam desligados.

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