Bom, se vou falar dessa pessoa, devo antes de qualquer coisa
avisar: essa não é uma história legal, nem mesmo emocionante, você não irá ler
sobre aventuras aqui, nem romance, talvez até ache engraçado, mas certamente
não será pela comédia. Na verdade já falei dele antes.
Essa não é uma história bem escrita, nem se sabe direito
onde começa ou termina e de qualquer forma, você não aprenderá nada ao fim dela,
nem ira ficar mais culto, isso se você terminar de ler.
Claro que pode parar por aqui, na verdade até aconselho,
pois vou ser bem sincero, é uma história chata, pedante e encharcada em auto
piedade.
Se insiste em ler...
É sobre um homem, sobre os sentimentos dele, sobre como se
sentia em relação ao mundo, e de antemão pode-se dizer que estava cansado, era
o tipo de pessoa que se sentia solitário em seu quarto mesmo quando acompanhado. Sentia-se triste às vezes, mas se
perguntassem é provável que não soubesse definir o que era tristeza.
Talvez até soubesse o que lhe afligia, mas só talvez, até
porque existia também aquilo que deseja ser o seu sofrimento. No entanto como é
de costume o destino – caprichoso como é – não nos deixar sofrer pelo que
desejamos, a verdade é que acabamos mesmo sofrendo por aquilo que não
queríamos.
No fim só estava cansado, cansado de si mesmo e do jeito que
se sentia, da fome que tinha da necessidade idiota que tinha, estava cansado de
ser o grandessíssimo bobão que era.
Às vezes gostava de pensar em si como um bobo romântico, mas
a duras penas acabava percebendo que na maioria das vezes um bobo romântico, é
só um bobo mesmo.
Às vezes esforçava-se tanto, tanto...
Por quê?
Ele sabia bem o porquê, mesmo que não quisesse admitir. Esforçava-se por alguém, era sempre por
alguém, no entanto o pior defeito dele era esperar algo, ele sempre estava
esperando algo, um sorriso, um olhar, um abraço, um obrigado.
Mas o que mais queria, era ser mais do que bom para alguém,
no fundo desejava ser importante, pelo menos para “aquele” alguém.
Quantas vezes com lágrimas nos olhos percebeu que não
importava o quanto tentasse, sempre fazia algo errado, e que não importava o
que ele queria ou esperasse, as pessoas fazem aquilo que acreditam que devem e
na maioria das vezes não se importam realmente, no fundo não querem saber,
estão ocupadas de mais com seus próprios medos e problemas para dar alguma
importância para um bobo romântico.
Certa vez lhe falei que não devia entregar-se tanto, que não
devia entrar sempre de cabeça. Foi então que me olhou nos olhos, com aquele
olhar bobo, que só os românticos tem e disse, “não sei ser diferente, não sei ser pela metade, nem gostar com
reserva, mas não digo eu te amo toda vez, só quando esborda meu peito e escorre
entre meus lábios, quando é realmente
verdadeiro!”
Admito que fiquei desarmado diante de tal argumento. E hoje ele
segue, da mesma maneira. Da ultima vez que o vi parecia feliz, na verdade tinha
um sorriso bobo no rosto, um sorriso romântico. No entanto, depois quando me
escreveu tinha um ar melancólico e distante. Acho que não se sentia bem, na
verdade sei que tem feriadas profundas e que às vezes elas abrem.
Mas não se preocupe, sei que de alguma maneira ele vai
costurar essas feridas e seguir em frente, pois como todo o bobo romântico ele
tem esperança, e também não tem lá muita escolha, a não ser seguir em frente.

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