Sinto-me explodindo, incoerentemente cansado, mas livre. Tão
livre quanto um peixe em um aquário, sem saber que o oceano existe.
Sinto que li Clarisse sem nunca tê-la lido. Sinto que entendo
o meu eu a partir do que não li dela, e na negação da negação, reconheço o meu
não eu nos meus escritos.
Sinto vontade de ser despudorado, de ser vulgar e sexual.
Sinto que sinto, tendo isso sentido ou não.
Sinto-me em mim mesmo, e com saudade do que não fui, com
fome do que não comi e com raiva do que não aconteceu.
Sinto lágrimas em meus olhos, sinto solidão e não sei o que é
solitude.
Sinto-me envergonhado, castrado, enredado e “des-graçado”.
Sinto-me implodindo, e interiorizando toda essa desconexão.
Sinto que implodo meu eu, e nego. Nego a incerteza e a
indelicadeza de minhas palavras.
Sinto a raiva expressa em meu maxilar, a doença em meus
olhos e a cura na saudade.
Sinto a frustração do não eu e tristeza do não ser e a
vergonha do não estar.
Sinto-me vazio.
Sinto esperança ao me esvaziar, mas apavorado por sentir esperança,
pois conheço Pandora.
Sinto que estou me perdendo, e perdendo as palavras.
Sinto que chego ao fim, que morro com este final, e fico esperançoso
com isso.
Sinto falta, mas sinto tanto a falta, que me esqueci como é
sentir saudades.
Enfim, sentindo esvazio-me de sentido.

Profundo !!
ResponderExcluirE desconexo...
ExcluirMuito bommmm
ResponderExcluirMuito obrigado
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