Tenho medo, por ter perdido o maior amor que eu já senti, me
sinto triste por não poder ter mais os melhores abraços que já recebi. Enfim, me percebo amaldiçoado por minha consciência.
Estou cansado de me sentir assim, e me sinto culpado por
isso.
Todos morrem, e há crueldade em continuar vivendo, há
crueldade ainda que involuntária, mas ainda sim crueldade. Há crueldade na continuação das
coisas comuns. As pessoas não param e não podem parar, elas vivem pelo impulso
de viver, como deve ser.
Mas e eu, onde fico nisso tudo. Não quero morrer não me
interpretem mal, mas estou cansado.
Cansado de todas as minhas mascaras da futilidade que vem com
elas, estou cansado por perceber as máscaras das pessoas mesmo quando elas
mesmas não percebem.
Por tanto tempo senti medo de ficar só, de estar só. Temia
não aprender a estar sozinho em minha própria presença. Hoje a solidão ainda me
assusta, mas também atrai.
Já não sinto mais raiva, só tristeza.
Mais uma vez me vejo em pé, olhando para o abismo em meu
peito, e ele parece mais profundo e convidativo. Sei que não devo olhar tanto
tempo, sei que ele pode olhar de volta, mas já não consigo evitar.
Não estou livre, mas sou eu que faço minhas correntes.
Queria estar diferente, ou não, não sei.
Na verdade queria estar com alguém, sim isso é verdade.
Sinto medo de fechar olhos, mas não por medo de poder ver o
que vejo com olhos fechados, tenho medo não sentir mais vontade de abri-los.
Por um momento escrever pareceu ajudar, mas não pode, de
fato nada pode.

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