Será possível viver na crença da
possibilidade de resolver tudo? Na crença de ser sempre “o vencedor”? Ou ainda na
crença de achar alguém que não me decepcione?
Quantas preocupações temos,
quantas criamos, quantos problemas ficam maiores pelo simples fato de
rumina-los...
Quanto a mim cada vez mais
percebo a importância da simplicidade, cada vez mais percebo a beleza das
bolhas de sabão.
Todas minhas ilusões dissipadas,
meus sonhos, minhas quedas, minhas conquistas, meus medos, minhas leituras, as
musicas que ouço, meus pais, amigos e amores, fazem parte daquilo que sou,
daquilo que me tornei.
Mas o que sou não está pronto,
não é inexorável, não sou um conceito pronto, estou em constante reformulação,
em constante mudança até quando não quero ou não estou pronto para isso. Todos
que entram, passam ou passaram em minha vida, deixam marcas registram alguma
coisa em mim, mesmo quando não percebo isso. Meu eu muda a todo instante, muda à
medida que escrevo essas linhas. Não são mudanças enormes, nem do meu caráter
como um todo, mas o fato é que minha percepção de certo e errado, minha conduta
moral está em constante reformulação.
Claramente a ética que rege
minhas ações modifica mais demoradamente por depender necessariamente do
ambiente em que vivo, das relações sócias pré-estabelecidas na sociedade em que
estou inserido. No entanto, em um período curto de tempo posso perceber as
mudanças nessa sociedade e em como essa concepção social do que é moralmente
correto mudou, posso afirmar, portanto que minha conduta ética teve por
obrigação de se modificar junto.
Entendo perfeitamente que não é possível
viver sem certas regras de convívio social, mas o que digo aqui é que minha
personalidade não está pronta não é ditada por essas regras, certamente
influenciada por elas, mas meu “eu” por não ser um conceito concreto, está
constantemente entrando em confronto com essas regras e muitas vezes passando
alguns limites.
Enfim o que digo, o que afirmo
aqui é a impossibilidade e afirmar qualquer coisa acerca de mim, pelo simples
fato de não existir um “eu” imutável.
Percebo, portanto esse tipo
especificidade também nas pessoas que conheço e assim sendo, devo chegar ao raciocínio
lógico que não as conheço por completo, que elas são mutáveis assim como eu e
que portanto invariavelmente vamos seguir por linhas de pensamento diferente e haverá claro, decepções e também desentendimentos.
Sei portanto, que somente o
entendimento de que não existem pessoas imutáveis pode de fato me mostrar o
quão frágil é o terreno do amanhã, que é tolice acreditar que conheço realmente
alguém, e que esse alguém jamais ira me ferir ou machucar, por mais que goste
de mim. Que minha decepção acerca de alguém, não é realmente por que a pessoa
mudou ou fez algo realmente errado, minha decepção se deriva da quebra de minha
ilusão, acerca daquilo que eu esperava daquela determinada pessoa, da minha
projeção de suas ações futuras.
De onde conclui-se que minha
decepção não é culpa daquele individuo em particular, mas minha.

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